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1 20/05/2024 14:37

A tensão está relacionada à falta de dinheiro e à preocupação em manter o orçamento em dia

Lidar com as finanças muitas vezes causa dor de cabeça para os brasileiros, especialmente quando as despesas se acumulam. Dados da 7ª edição do Raio X Brasileiro, realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha, mostram que 52% da população brasileira sente um alto nível de estresse com as despesas. Além disso, o estudo constatou que 56% da população se preocupa com o medo de perder suas fontes de renda.

O levantamento realizado entre 9 e 29 de novembro de 2022, com 5.818 pessoas de todas as regiões do país, também mostrou que pouco mais de um terço da população (34%) teve gastos maiores do que a renda nos seis meses anteriores, sendo o Nordeste e o Norte as regiões com as maiores porcentagens de pessoas que gastaram mais do que ganharam – 44% e 37%, respectivamente.

Segundo Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, o estresse com as despesas está relacionado à falta de dinheiro e à preocupação em não pagar as contas em dia. Entre a classe D e E, o percentual é ainda maior do que na média da população, com 62% das respostas.

“A pesquisa mostra que pouco mais de um terço da população (34%) teve gastos maiores do que a renda nos seis meses que antecederam a pesquisa. É um percentual muito alto de pessoas que estão se endividando e perdendo o controle das próprias finanças. Não podemos ignorar questões estruturais do nosso país, em que ainda há altas taxas de desemprego e de desigualdade social, mas mesmo pessoas da classe A/B, com as melhores condições de renda, apontaram que gastaram mais do que ganharam nesse período”, fala Billi.

Psicóloga clínica e especialista em Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC), Luana Albuquerque menciona que as finanças, por gerarem dores de cabeça e promover a ansiedade, levam muitas pessoas a evitarem conversas sobre dinheiro, despesas e renda mesmo com pessoas próximas.

“Dificuldades relacionadas às finanças pessoais são fontes comuns de ansiedade e preocupação para a maioria das pessoas, afinal o dinheiro é a nossa via de acesso para as coisas que precisamos e desejamos, e a escassez dele é, inegavelmente, um problema. No entanto, a maioria de nós não foi propriamente orientada sobre como fazer uma gestão financeira adequada. E apesar de sua evidente importância, falar sobre dinheiro - seja com amigos, familiares, parceiros ou no ambiente de trabalho - muitas vezes nos parece inapropriado”, relata a psicóloga.

Luana Albuquerque também reforça a importância dessa abordagem da psicologia para lidar com as finanças e reduzir o estresse. “A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) parte do princípio de que nossos pensamentos influenciam nossos sentimentos e comportamentos. Dito isso, o comportamento financeiro, como qualquer outro, está intimamente ligado aos nossos padrões de pensamento e às nossas emoções. Quando a relação com o dinheiro é uma queixa central do paciente, nós avaliamos e reformulamos os pensamentos distorcidos ou disfuncionais em relação ao dinheiro”.

O planejador de finanças pessoais, Raphael Carneiro, diz que, por um lado, ainda há um grande incentivo ao consumo, o que acaba levando ao gasto exagerado. Por outro, grande parte da população segue com renda inferior ao que seria necessário para uma vida digna, o que gera a necessidade de buscar outras fontes de renda, aumentando assim os problemas de saúde e estresse, ou então de viver sempre no limite.

Além disso, a preocupação com a perda da fonte de renda e não poder pagar as contas também está presente na maioria dos brasileiros. A psicóloga Luana Albuquerque explica que, em níveis moderados, esses receios incentivam escolhas financeiras mais sábias.

No entanto, quando se tornam excessivos e crônicos, esses sentimentos podem paralisar a pessoa e criar um ciclo de ansiedade. “É essencial reestruturar essa forma de pensar para adotar comportamentos mais conscientes e construir estratégias para uma relação mais saudável com a incerteza financeira”.

 

* Portal A Tarde







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